Não lembro mais do seu rosto nitidamente se não ver uma foto sua.
Não lembro da cor, da profundidade e segurança que seus olhos me passavam.
Não posso mais sentir frio e te abraçar. Sentir tua respiração na minha.
Te ver e pensar "está tudo bem".
Eu lembro de flashes.
Lembro de você comigo, assistindo as séries chatas que eu gostava e você detestava.
Da gente andando na garoa, no frio. Da sua mão na minha.
Das chatices e ciúmes um do outro.
Dos toddynhos e barrinhas de cereal comidas na calçada.
E como aquilo é triste e não faz sentido sem você!
Lembro de pequenos detalhes que me fazem toda a diferença.
Lembro do seu primeiro abraço timido, no seu quintal, depois de termos tomado chuva.
Da nossa conversa até as 3 da manhã na praça.
Das suas mensagens carinhosas.
Das ligações para dar boa noite.
De você parando o motorista e perguntado: "Ei, essa é sua última viagem?"
Das conversas e intimidades de madrugada.
Das inúmeras fotos. Inúmeras tentativas.
Das nossas futuras tatuagens mirabolantes.
De você dormindo abraçando o travesseiro, do jeito que eu adorava.
E não somente das coisas boas. Mas as ruins eu prefiro não comentar, deixar trancadas. Não vale a pena recordar tudo e tudo novamente.
Sinto até falta de chorar por você, como aconteceu ontem. Eu pensei que ia ser fácil, ou menos complicado, imaginar e te ver com outra. Ver você fazendo e se empenhando em uma outra pessoa.
Mas não foi fácil, nem menos complicado.
E eu até pensei que superaria e partiria pra outra, mas isso aconteceu com você, não comigo.
Pra mim as coisas são meio diferentes agora. As percepções, sensações, seguranças... São outras.
Porque eu procuro por outras coisas agora. Coisas especificas, não somente "coisas".
Mas não tenho o que fazer, o erro é irreparável e é tudo novo demais.
Só queria que você não pensasse que algo mudou pra pior, porque em mim e para mim, não.
Eu queria conseguir enxergar as coisas durante, não depois. Eu poderia tentar ter consertado tudo e hoje eu não estaria precisando pensar em nada disso, porque eu simplesmente estaria vivendo. Mas não, não é assim.
Ps: Eu te amo.
"Tem-se que deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. É somente com o desapego que poderemos voltar a nossa essência, ter somente o que é da alma. Sermos o que somos. Viver aquilo que nos é proporcionado, sem estar preso ao medo de perder.No
E para isso, não tem segredo. Apenas jogar fora, deixar para trás. Tem-se que esvaziar completamente a cabeça e o coração de qualquer tipo de coisa. Pois, na verdade, o ser humano tende a iludir-se, acreditando que só será feliz ao ter certa coisa. Mas assim tem-se o que quer, e não o que precisa. Nada é insubstituível, nada é fundamental.
Voltar a ser tu. Não aquele em que te transformaste, um tanto de ti e um tanto de influências externas. Ser tu mesmo não é tão difícil."
Era bom ter um pouco de mim e um pouco de ti, num só.
~
Se ler, me manda um sinal de fumaça. Uma mensagem, talvez?
Eu ficaria feliz.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
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